No outro dia, pela manhã, cruzou com Linda pelos corredores. Entraram juntos no elevador, eles e mais outras cinco pessoas. A vontade de Rogério era tomá-la ali mesmo. Beijar-lhe a boca, arrancar-lhe as roupas, agarrar com força seus seios macios, passando suavemente a língua por todo aquele corpo. O mais cobiçado corpo. Resolveu retribuir o bom dia que ela lhe dera. O mais dissimulado que já ouviu. Completa excitação!
Naquele dia preferiu não arriscar. Combinou de almoçar com a esposa, fora dali. “Cara-de-pau, dizia a si mesmo”. “Adúltero descarado. Vais almoçar com a mulher e dentro em poucas horas trairá”. Pela primeira vez, sentia remorso. Não seria um deslize qualquer. Havia grandes chances de ser pego. Talvez quisesse. Pelo menos teria um motivo para largar tudo e viver. Mas não vivia? Não era feliz? Era isso, também, o que queria descobrir. Talvez fosse apenas mais um caso sem importância e depois tudo voltaria a ser como era.
De volta à empresa, trabalhou como há muito não fazia. Convocou duas reuniões para estabelecer novas diretrizes orçamentárias. Revisou parte do plano estratégico. Escreveu. Como escreveu. Tudo para que a imagem de Linda não lhe viesse à mente. Páginas e mais páginas de relatórios. Qualquer momento de distração o faria pensar nela. 18:00. Saiu do prédio. Entrou no carro, que o levaria para o caso da sua vida. Talvez o que de mais interessante ele fazia em toda sua existência até aquele momento.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
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