sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Niilismo cotidiano

Hoje estava fumando meu Carlton Red (sim, sim, tenho esse mau-hábito, mas estou reduzindo, sério!) quando, não sei bem ao certo como, ele, praticamente, jogou-se da minha mão. Deu uma espécie de duplo twist carpado e quase queimou-me os dedos. Não fazia muito tempo que eu o acendera. E isso, para quem está reduzindo, é um martírio. A minha intenção era a de fumar apenas um cigarro hoje. Não fumava desde quarta-feira, quando fumei uma unidade. E, antes disso, havia fumando apenas no sábado. Então fiquei num dilema. Maldito impasse. Fumo outro, ou não? O cigarro foi ao chão antes de chegar na metade. Se ele tivesse passado da mentade, tecnicamente, podería arredondar para um inteiro e deixar por isso mesmo. Mas ainda não havia saciado minha vontade de fumar um único cigarro. Então pensei: "acendo outro e fumo um pouco mais do que meio, jogo fora e ficam elas por elas?"Mas e o desperdício? Não que eu seja um avarento, mão-de-vaca. Mas é que se deixo outro cigarro cair, propositadamente, são menos dois na carteira. Se eu fumá-lo inteiro, também serão menos dois, eu sei. Entretanto, psicologicamente, isso pesa de maneira diferente. Pelo menos em minha consciência conturbada. Freud explica. Ou não. Explico eu então. Ou tento. Quanto menos cigarros tenho dentro de uma carteira, quer dizer que mais eu fumei. Enquanto, quanto mais cigarros tenho, sinal que menos fumei, e mais tenho para fumar. Dividindo em vários dias. Talvez semanas. O que faz uma carteira durar mais. E eu fumar menos. Ou, pelo menos, dura até o próximo final-de-semana quando, quase que invariavelmente, termino com uma carteira inteira. Tenha ela vinte, tenha ela dois cigarros. Enfim. É complicado. O ideal seria ter força de vontade e largar de vez. Chupar uma bala sete belo. Beber água. Mas força de vontade é pra evangélico. Nada contra os evangélicos. Acho bom eu me tratar, além de tabagista, chego a pensar que estou desenvolvendo TOC.