Rogério era funcionário de uma grande empresa. Vida regrada. Ganhava bem. Casou-se com o grande amor de sua vida aos 23 anos. Os colegas invejavam-no. Há 15 anos na empresa, adquiriu reconhecimento, promoções, bonificações, até tornar-se diretor-chefe da Região Sul. Prestava consultoria a diversas multinacionais, empresas públicas e ainda tinha sucesso como jogador de tênis. Sempre ganhava os campeonatos promovidos pela associação dos funcionários da empresa, que ocorriam, sempre, em algum outro estado do país, ou mesmo fora dele, já que se tratava de uma instituição com sede em toda América Latina. Afora os treinos semanais de tênis, o futebol aos finais de semana e eventuais happy hours com colegas da empresa, era um homem de poucas distrações.
Vivia para a família e para o trabalho. Muito mais para família do que para o trabalho. Chegou a um momento de sua vida em que podia se dar ao luxo de dar atenção aos filhos e à esposa. E que esposa era Maria Alice. A mulher ideal. Perfeita. Aos 39 anos, a mesma idade do marido, tinha uma beleza clássica, uma postura extremamente elegante, uma verdadeira dama. A pele branca e absolutamente lisa. Um rosto com pequeníssimas marcas do tempo. Cabelos negros, cacheados e volumosos, que emolduravam a verdadeira obra de arte que eram os seus olhos. Duas grandes bolas verdes e cristalinas, que tiravam o fôlego de quem as olhasse. Características que chegavam a contrastar com o seu corpo escultural, arduamente trabalhado em academia, sem qualquer gordura ou sinal das duas gravidez. Um corpo voluptuoso, parecido com os corpos daquelas dançarinas de axé. Firme. Tudo perfeitamente distribuído.
Eram felizes. Mesmo assim, Rogério estava insatisfeito. Conseguira tudo o que queria antes dos 40 anos. E o que mais o incomodava era o fato de jamais ter tido outro amor, ou mesmo uma paixão passageira. Teve pequenos casos. Não era santo. Um tanto hedonista, mais de uma vez, abusava de sua beleza, inteligência e status social para conquistar algumas jovens a procura de aventuras sexuais, jantares caros e pequenos presentes. Mas jamais deixara rastros. Tinha certeza de que era fiel. Se não fiel, pelo menos, leal. Era.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
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