quinta-feira, 28 de maio de 2009

Passageiros feridos em turbulência de avião passam por cirurgias


A manchete é da Folha Online. A foto é de Rubens Cavallari. O impressionante é a semelhança da empresária que ficou ferida após turbulência em um avião da TAM, ocorrida na última segunda-feira, com a governadora Yeda Crusius. Algum gaiato poderia escrever as seguintes manchetes para essa foto:

Governadora apanha mais do que cachorro ladrão

Oposição parte para ignorância

Sem CPI, Yeda pára na UTI

Coronel Mendes quer reassumir comando da BM

A revanche de Feijó

O motivo da separação

E a casa caiu

Quem tiver mais sugestões de manchetes, escreva nos comentários.

Nada supera a realidade

Nesta manhã, despretensiosamente, estava eu na parada do ônibus, próxima a minha casa, esperando a condução que me levaria ao começo de mais um dia normal. Algo inusitado me ocorreu. Nada de muito espetacular, apenas curioso e que me fez refletir: por mais que eu tente inventar uma história ou uma piada, nada supera a realidade.

Na parada do ônibus, estava uma velhinha, muito simpática, dos seus 75 anos creio eu. Daquelas pessoas solitárias, que sentem necessidade de conversar. Então conversamos. Na verdade foi um monólogo. Ela falava e eu ouvia. A história começou com seus dedinhos finos e frágeis apontando para o topo de uma árvore do outro lado da rua e dizendo:

- Meu filho, olha que coisa bonita. Como é inteligente este João-de-Barro. Olha bem para que lado está a abertura da casinha dele...Contra o vento. É impressionante a natureza, não é?

- É verdade. Respondi com atenção (aliás, minhas manifestações foram todas assim, uma, duas palavras, normalmente monossilábicas).

- Tu sabes, ela continuou, que na minha casa, há algum tempo, rondava um João-de-Barro. Pousava sempre em cima do meu telhado. Eu conversava com ele, dizia para ele fazer sua casinha em cima do muro que tenho no pátio. Um muro alto. Porque eu ia desmanchar o telhado da casa e teria que destruir a construção do passarinho se ele a fizesse ali. E eu queria a companhia dele, afinal, éramos somente eu e o meu marido.

Eu estava achando legal ouvir aquele tipo de coisa, àquela hora da manhã. Era uma história bonita, boa de se ouvir. E o jeito daquela senhorinha era cativante. Ela continuou:

- Mas não teve jeito. O Joãozinho começou a construir a casinha dele no telhado, por mais que eu conversasse e pedisse para fazê-la no muro. Eu adorava aquilo. Era bonito de ver ele juntando o barro, os galhos, de pedacinho em pedacinho, construindo a sua morada. Até desisti de destruir o telhado.

Linda história, pensava comigo mesmo. Pensei em como não prestamos a devida atenção às pequenas e belas coisas da vida. Estava sendo um momento de introspecção, reflexão sobre o estresse do dia-a-dia, sobre aquilo que fazemos com o nosso tempo e que não nos permite vislumbrar as coisas belas da natureza. Pensava no desapego material daquela senhora, que deixaria de fazer uma obra em sua residência só para não destruir a casa de um passarinho. Então ela interrompe esse momento e diz:

- Não é que foi o desgraçado do passarinho terminar a casa dele que eu perdi minhas duas irmãs e o meu marido. Desmanchei o teto da minha casa e arrebentei com aquela porcaria que o João-de-Barro fez.

Aquilo foi um choque para mim. Ao mesmo tempo em que me espantava, ria, com certo constrangimento, afinal de contas aquela pacata velhinha havia perdido três entes queridos. E ela finalizou:

- Dia desses, um outro João de Barro começou a rondar a minha casa. Pousou no meu muro, e eu pensei: - Dessa vez não! Peguei uma pedra e atirei! Quase matei o filho da puta!